segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

MARANHEI - A VIAGEM - PARTE 2 - AMIGOS

"Por isso se for preciso
Conte Comigo
Amigo, disponha
Quero que saiba
Que mesmo modesta
Minha casa será sempre sua
Amigo"

(Excerto da canção "Amizade Sincera", de Renato Teixeira)


                     O que podemos falar da palavra amizade? A primeira interpretação que tive, ainda criança, foi a de que era o mais precioso dos tesouros na Terra, maior do que o ouro mais precioso; isso ouvi da boca do seu Zé Lauro, vizinho de minha avó, em meus pueris tempos na rua das Cajazeiras, quando o acompanhava em suas caminhadas em fins de tarde há muito distantes; assim conheci, de tão preciosas palavras, o valor da amizade...
                            Nesta segunda parte, encontros, reencontros, emoções das mais diversas, mas, acima de tudo, o aconchego no coração dos amigos; onze anos de tantas águas corridas de tantas marés passadas, de tantos ventos soprados, de coisas novas e histórias antigas, saúdo aqui os amigos de todos os tempos, presentes e ausentes, além de nomes e rostos; amigos mais que todas as coisas boas deste mundo!!!


Começamos por um tesouro dourado, o pôr-do sol sobre a mágica baía de São Marcos, o começo dos reencontros; ansiedade sem par...
Casa das Dunas, o primeiro cenário desse primeiro grande encontro
À vista do mar, esperamos, a brisa como carinho nesse dia tão especial.
Os primeiros sorrisos dos amigos, promessa do que está por vir...
A noite caindo na Litorânea, em luzes e ventos...


O show começa, a atmosfera perfeita de diversão e aconchego
Nós em música e  felicidade
E chegam sorrisos, memórias e felicidade; mesmo em tanto tempo, nossa alma nos fez além; jamais deixamos de ser sonhadores, ainda plenos da paixão de viver

Nós indo a outros abraços de amigos, revendo coisas tão vividas
A noite de um segundo dia e o calor dos amigos aumenta, com a felicidade em tons cor-de-rosa, no delicioso recanto da Cohama, abraços e mais sorrisos, o grande dia se aproxima; entre sabores e conversas, nos descobrimos mais amigos

O carinho cor de rosa que nos recebeu, rara beleza





E brindamos ao tesouro de nossa imorredoura amizade

Lembranças dessa noite especial, relatos de iguais viagens
No Olho D'Água, os olhos marejam de felicidade e saudades; mais uma vez brindamos aos dias felizes, aos viveres tão saborosos...



No descortinar da casa, sensibilidade, carinho e o esmero da acolhida calaram fundo em nossos corações


Que tantos momentos pode guardar algo que queremos bem? Mesmo a mais despretensiosa peça é cronista de tantas lembranças...


O coração florido de carinho, a alma plena de congraçamento, que podemos mais querer de tão queridos amigos?



E o Grande Dia do Grande Encontro Marista 1984 chega!!! Boate Structura, Cohama, 27/12/2015;  os jovens que começaram com sonhos, anseios e esperanças, fizeram caminhos, plantaram vivências. conceberam realizações e cimentaram carreiras; nesse dia, porém, somos novamente aqueles jovens sonhadores, cheios de alegria, uma explosão de felicidade transformada em enorme abraço fraterno


























P. S. - Não estava preparado para sentir a explosão de emoções desses dias, onde tantas lembranças afloraram, tantos acontecimentos se reviveram e tantas surpresas maravilhosas aconteceram;  mais feliz senti-me de poder vivenciar isso ao lado de minha esposa Leonor, cuja luz foi a grande fortaleza em todos os momentos; reforçou-me muito mais o laço de amizade e de carinho que, mesmo depois de uma onzena de anos, jamais se desvaneceu; que seja sempre maior esse tesouro divino e maravilhoso chamado AMIZADE!!!

E, falando em Divino, na próxima parte desse nosso relato, falaremos da maravilhosa diversidade de fés e credos que tão grandemente permeia a cultura do Maranhão; entre o religioso e o profano, as marcas de uma cultura...

Até Lá, e VAMOS MARANHAR!!!








sábado, 9 de janeiro de 2016

MARANHEI - A VIAGEM - PARTE 1



"Não sonos turistas, somos viajantes - falou calmamente Porter, acendendo um cigarro.
- Mas qual a diferença? - indagou Tunner, curioso 

- O turista - respondeu Kit, com um sorriso - pensa em voltar pra casa assim que ele pisa pela primeira vez no lugar onde visita; o viajante pode simplesmente não voltar...segue , sempre, em frente; 
- Então sou um turista - respondeu Tunner - e Port é um viajante; mas e você, Kit? 
- Estou entre os dois - respondeu ela, olhando o horizonte..." 

(Paul Bowles, do livro "O Cèu Que Nos Protege") 

Assim nós, turistas com alma de viajantes, dividimos com vocês, que apreciam nossos blogs, essa narrativa de viagem, em que cada espaço se revela um encantador universo de cores , sons, aromas e movimentos, onde fé, vida, arte e cultura se traduzem em um único verbo, um chamado a exercitar os sentidos...Vamos MARANHAR? No centro histórico de São Luís, numa das ruas por onde se pode entrar para conhecer as maravilhas dessa obra de arte ao ar livre, existe um grupo de barracas onde, do paladar à visão, tudo é deleite; mas o mais interessante delas são os frontões, cada um mostrando um aspecto da cultura, da arte e da natureza do Maranhão; através deles, como um álbum, se mostram os símbolos dessa tão sedutora região. Maranhemos, então... Agora começa, a quatro mãos, o descerrar de nossa viagem.

Nosso primeiro olhar sobre a cidade se deu  do céu, no tremeluzir das primeiras horas do dia; parecia que podíamos alcançá-la com as mãos, se assim quiséssemos...



Cor e Movimento, a alegria sensual entre o religioso e o profano

O ritmo caribenho que, ao desembarcar por estas terras, descobriu sua alma maranhense, o balanço ao sabor das ondas...

Que se abra o pano para o drama e a comédia, para a poesia que se faz em cena, entre o farfalhar dos leques e o ruflar das sedas, entre risos e lágrimas, a arte se faz viva.

Dos teus azuis, que te batizaram, a todas as cores em que viajas, tu, azulejo, é alma e corpo dessa terra

Da terra dos velhos quilombos, pelas mãos dos calhambolas, o barro se faz vivente, conta histórias, urde vidas.

Quantas vozes animadas, em sorridentes falares, quantas águas já correstes, ó fonte  tão secular? Tu dizes "apenas sei da lenda que em mim dorme, da serpente encantada, que em minhas entranhas repousa"
Sobrados que são vigias, de tanto tempo passado, se enamoram do futuro, no debruçar das sacadas, no mistérios dos seus dias, a encantar os passantes...

Da janela de mistérios, dos amores suspirados, dos olhares ofertados, histórias de bem-querer; dos vigias d'outros tempos, apenas guardas os ventos, que sussurram sem cessar

Nasceste orgulho de França, de Espanha triunfou, de Portugal se encantou, de tantas nações inspiras, encantas e admiras, és tu, Ilha de tantos amores!!!

Todos somos mês de junho, enfeitados de veludo, bordados de brilho e cor, bem encantados de amor, bailando ao som da promessa, de trazer esse boizinho, para alegrar essa festa!!!

Que mais doce então será? Esse doce do Divino, de espécie como se dá, ou todo o sabor da vida, que então virá?

O gosto fica na boca, lembrança no coração, de coco, salgado então; não importa como seja, o beiju que vai à mão;

O bate-bate aparece, como som ou marcação, de anúncio de delícia, caranguejo de montão, sabor, maranhensidade, que me morro de vontade...

Mistério, encantaria, mascarado vem então, pra curar o meu boizinho, Cazumbá, com seu condão

Eu não faria justiça, se nesse tanto falar, me esquecesse da delícia, do nosso arroz de cuxá, terra e mar tão unidos, na arte do paladar

Lençóis da Mãe Natureza, lagoas de admirar, nosso tesouro nas dunas, águas tal iluminadas, para nos fazer sonhar

Voo de encarnadas asas, cores suspensas no ar, colorem os céus de poesia, verso bonito de olhar

Paredão de rocha nua, feito pela Mão de Deus, donde escorrem águas mansas, belezas a nos contar histórias soltas no tempo...

Assim , em "voo de pássaro", nos despedimos de hoje, já no fim de sua afã; mas não se apoquente não, guarde o ansioso suspiro, da curiosidade tão chã; prometemos de mãos juntas, tem mais lindeza "amanhã"!!!!

P.S.  - No próximo capítulo, teremos o tema "Amigos", onde emoção e memória são os guias de então; tempo de recordação, congraçamento e abraços, de  histórias de juventude, alegrias e sorrisos

Até Lá!!!!

sábado, 28 de novembro de 2015

CONTOS DA GUERRA ESQUECIDA - O VELUDO VERMELHO - PARTE XIX

CHARLTON HOUSE, 1890

Aurélio parecia ter feito as pazes com sua vida.

O casamento com Agnes transcorria feliz, os filhos tinham crescido e seguido suas vidas; Anna estava noiva de um promissor oficial da Marinha Real e Aurélio, mesmo a contragosto do pai, seguiu carreira militar e estava por se graduar em Sandhurst; o terceiro filho, Matthew, já nascido em solo inglês, era quase saído da meninice; Aurélio ainda recebia com alguma regularidade cartas da irmã, que cuidava do patrimônio que coube a ela no espólio do pai; não se casara novamente, pois ela dizia em suas cartas que “se cansara de esperar por promessas que não se cumpririam; os jogos amorosos agora eram um enfado”; ficou a pensar na irmã de outros tempos, ansiando por aventuras românticas; os tempos mudavam e as pessoas também...

Seus pensamentos foram interrompidos pelo som de passos vindos do corredor; a criada trazia uma bandeja com chá e madeleines recém-assados, cujo aroma se espalhou pela sala; sem dizer palavra, deixou-a sobre a mesa e afastou-se. Ele se limitou a sentir o aroma dos doces, ainda relutando em comer; ouviu novamente o som de passos, desta vez mais leves e compassados.



- Que pensamentos são esses que tanto o perturbam, meu querido? -  Ela percebeu através da calma o olhar profundo e preocupado.
- Sabes que reneguei todas as coisas de meu passado na guerra, todas as dificuldades que passei; tentei com todas as forças manter isso longe da família; a opção do meu filho simplesmente me tirou o chão.
- Ele nada mais fez do que você mesmo quando decidiu se alistar, não lembra? O seu pai também não aprovava, mas assim mesmo fez o que fez e quase não consegue se despedir dele.

A observação da esposa o chamou à razão; ela sempre sabia o momento certo de chamá-lo ao bom senso, ao equilíbrio; essa soma de forças fazia com que tudo na vida deles, das finanças à relação com os filhos, fosse sempre assim, sem percalços.

Deu as mãos a ela e, por fim, provaram do chá e dos doces..





SPION KOP, Africa do Sul, 1900

O calor era insuportável.

Os nervos dos homens já tinham alcançado o limite; o entusiasmo inicial já os havia abandonado há tempo; acossados pelos tiros precisos dos rifles Mauser dos Boers e sob fogo constante de artilharia – os canhões inimigos não podiam ser localizados, pois já usavam a nova pólvora sem fumaça, que tornava inútil o treinamento dos observadores de artilharia, que se orientavam pela fumaça dos disparos – muitos se desesperavam, igualmente atormentados pela sede e pela fome; a ilusão de uma vitória fácil sobre os teimosos fazendeiros sul-africanos se desfez...



O capitão Aurelio Charlton – chamado pelos homens de “Captain Aurell”, pela dificuldade em pronunciar seu nome brasileiro – municiava sua pistola Mauser C96 enquanto usava um periscópio para sondar o horizonte; para surpresa dos soldados, o topo do monte era da mais dura rocha, impedindo que se cavasse uma trincheira profunda; o resultado foi que embora dominassem a colina, ficavam expostos tanto ao fogo de artilharia quanto aos tiros precisos dos rifles. O local ficou juncado de mortos e feridos e o cheiro já era pungente demais para suportar.



Foi então que ouviram os gritos.

Uma leva de centenas de Boers atacou a colina, avançando sem medo e com um aguerrimento que surpreendeu os britânicos; se seguiu uma luta sem quartel, onde o inimigo, mesmo sofrendo pesadas perdas, conseguiu empurrar os ingleses para um terreno onde não havia muita chance de defesa. Aurélio tentava organizar uma resistência, mas os homens, debilitados pela sede e pelo cansaço, estavam no fim de suas forças e os reforços falharam em levantar o cerco; enfim, vendo que nada mais podia fazer, o oficial comandante ordenou a retirada, deixando os mortos e os feridos que não podiam ser resgatados no topo da colina...



Carregado por dois soldados, o capitão Aurelio, ferido na coxa e no antebraço esquerdo, foi conduzido a uma ambulância, onde um sargento indiano, de baixa estatura e com um pequeno bigode, o ajudou a acomodar-se, enquanto um enfermeiro verificava seus ferimentos; com um misto de raiva e desapontamento, olhou ao redor e viu, do outro lado do rio Tugela, a colina que tantas vidas havia custado, fruto do desconhecimento e da incompetência de generais pomposos que não se importavam com os homens; insistiu em ficar para ver a situação dos soldados, mas o oficial médico disse que ele precisaria de mais cuidados no hospital de campanha, se quisesse sobreviver ; a ambulância preparava-se para partir quando ele se dirigiu ao indiano que o ajudara.
- Sargento, veja que esses homens recebam o melhor cuidado possível; lutaram com muita coragem e não merecem ser deixados de lado.
- Me assegurarei disso,senhor – disse o indiano.
- Muito bem, fico mais tranquilo em saber que posso contar com isso, sargento...
- Gandhi, capitão; Mohandas Gandhi, do Serviço Indiano de Ambulâncias.

Aurélio respondeu a continência e deu duas pancadas no madeirame, sinal para que a carroça seguisse em frente; teria muito a relatar aos seus superiores, depois que saísse do hospital...




Créditos das Imagens - Google Images

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

CONTOS DA GUERRA ESQUECIDA - O VELUDO VERMELHO - PARTE XVIII


Eliza sorriu enquanto ele conferia o GPS.

A bucólica paisagem campestre inglesa era um alívio, depois do burburinho londrino; ele imaginara uma cidade fleumática, de tipos formais e silenciosos; espantou-se com a agitação, que ele achava tão tipicamente americana.

- Essa Londres é bem dos livros de mistério ou de peças de teatro, meu amor; depois dos Beatles e dos punks, ela jamais foi a mesma, mas mesmo assim é encantadora – disse ela, divertindo-se com o espanto dele.

Sorriram juntos, enquanto seguiam adiante.

As estradas rurais, mesmo com seu visual encantador, revelaram-se um desafio; mesmo ela , tendo residido algum tempo no país, jamais se aventurara fora de Londres sozinha, e, quando viajava, sempre era com alguém que conhecesse bem o caminho; por sorte, tinham descoberto no apartamento de Derek um guia das casas de campo da região, onde Charlton House aparecia como uma das mais antigas casas descritas; “vai ser mais fácil assim”, pensou ele.



Isso seria mais fácil dizer do que fazer.

Embora figurasse como uma das casas mais antigas daquela parte, havia pouca coisa sobre a localização, que , segundo o guia, dava apenas uma referência de uma colina próxima, densamente arborizada, que a fazia ficar oculta aos que vinham pela estrada.

Uma estrada vicinal de macadame, quase escondida pelas cercas-vivas que estavam nos lados da rodovia, revelou uma placa onde se via “CHARLTON HOUSE 2 miles”; a estradinha era emoldurada por pedras toscamente talhadas, que davam um aspecto antigo; rumaram por ela até que chegaram a um portão escuro, onde letras douradas formavam um monograma que, certamente, deveria ser o dos Charlton; Eliza desceu e se dirigiu até o portão, apertando a campainha para ver se era atendida; uma voz misturada com estática perguntou se eram visitantes, pedindo que voltassem em um hora, pois o horário de visita guiada começava por volta de duas da tarde; Eliza respondeu num tom firme, e, dentro de poucos minutos, o portão se abria, revelando, no alto da colina, a casa que os tinha intrigado tanto; Walter reparou na cerca branca a uns cem metros da casa, nos fundos, mas procurou prestar atenção no caminho até a entrada. Já os esperava uma mulher aparentemente de meia-idade, cabelos brancos arrumados num coque elegante e de olhos azuis expressivos.


- Bom dia, espero que sua viagem tenha sido agradável – disse a mulher em um tom formal, de uma cortesia que parecia camuflar sua verdadeira expressão – Sou Mavis Lockhart, governanta e curadora de Charlton House; no momento, o senhor Mark Charlton se encontra em Paris a negócios, mas se eu puder ajudar, podem falar comigo.
- Muito agradecidos , Sra. Lockhart.
- É Senhorita Lockhart, minha cara, eu sou filha única , e o trabalho de cuidar de meus pais não deu-me tempo para ter família.
- Perdoe-nos então , senhorita; estamos em viagem pela Inglaterra e aproveitamos para conhecer a casa, pois tem um pouco a ver com uma pesquisa que estou fazendo

Eliza, então, contou a Mavis toda a história desde o princípio, desde o testamento do pai até a circunstância que a levou até lá; a governanta a fitava com olhar inquisidor, como se cada parte da história acendesse uma luz em seus pensamentos; por fim, ela conduziu Eliza até uma sala próxima do vestíbulo, onde uma galeria de retratos de família dominava a decoração; no quadro maior, a família composta do marido, da esposa e dois filhos, uma menina, mais velha, aparentando ter quatorze ou quinze anos, a esposa, sentada numa cadeira de espaldar alto, e um menino, que deveria ter uns oito ou nove anos, abraçado à mãe; ela notou que o homem não assumia a pose formal geralmente encontrada nos retratos de família, mas trocava olhares cúmplices com a esposa e os filhos; outros retratos mostravam as mesmas crianças, mas desta vez não eram pinturas, mas daguerreótipos que mostravam cenas de viagem, de lazer e mesmo de um casamento de família.
- Aqui, um pouco da história da família, minha cara; a propósito, seu nome...
- Eliza Thomaz, sou arquiteta e tenho um escritório no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro;
- Interessante! Há algum tempo uma outra pessoa com este sobrenome esteve aqui, em busca de alguns documentos; a senhora por acaso sabia que, naquele retrato de família que viu, o marido de Lady Charlton era um brasileiro? Ela o conheceu quando o pai tinha negócios naquele país, há mais de cem anos.
- Essa pessoa seria por acaso um jornalista chamado Silvano Thomaz?
- Eu creio que sim; ele deixou aqui um cartão de visita que eu devo ter guardado; ele é seu parente?
- Ele era meu pai, senhorita; e eu estou aqui, como já expliquei, para concluir um trabalho dele. Ele faleceu recentemente e deixou esse trabalho inacabado.
- Eu sinto muito senhora, espero que esteja tudo bem.
- Não se preocupe, isso já ficou para trás; espero não incomodar mais que o necessário
- Não, não será incômodo, por favor, me acompanhe.

Walter e Eliza a seguiram, imaginando que histórias a casa poderia contar...